Oficina CEER
 21-01-2011
VIRIATO: UM "GUERREIRO" NO COMBATE AO CANCRO

Chama-se Viriato e pode esconder algumas das respostas que faltavam para perceber a forma como se originam determinados tumores. A descoberta pertence a uma equipa de investigadores do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da Universidade do Porto, que atribuiu o nome do histórico guerreiro lusitano a um gene que provaram controlar a proliferação das células e que poderá desempenhar um papel no desenvolvimento do cancro. O trabalho é publicado última edição (15 de Janeiro) da conceituada revista internacional Development. O Viriato pertence a uma família de genes já identificada, mas cujas funções ainda não eram conhecidas. De acordo com Paulo Pereira, coordenador do projecto, "este é o primeiro trabalho em que se estudaram as funções deste gene num organismo, neste caso a Drosophila", a mosca-da-fruta. Os autores mostram que as moscas com deficiência de Viriato apresentam um claro atraso no desenvolvimento. Mas o resultado mais notável da investigação é o facto do gene Viriato estar implicado no crescimento celular descontrolado induzido pelo oncogene MYC, que está associado ao desenvolvimento de inúmeros tumores. Com este estudo, esta relação fica agora mais clara: o MYC activa o gene Viriato, que por sua vez actua no nucléolo, promovendo um crescimento descontrolado das células.

De acordo com Joana Marinho, membro da equipa envolvida na descoberta (ver abaixo), o próximo passo passa agora por “aprofundar o modo como a dupla de genes, MYC e Viriato, actua na regulação dos ribossomas”. Ao clarificar esta questão, os investigadores esperam perceber como ocorre a proliferação excessiva das células tumorais.

Já Paulo Pereira destaca o objectivo de se "determinar até que ponto os tumores com alterações na estrutura do nucléolo apresentam níveis desregulados de Viriato, e de que forma alterações na função de Viriato poderão estar associadas ao desenvolvimento tumoral".

Sobre a Equipa.
Liderada por Paulo Pereira, Investigador Auxiliar do Instituto de Biologia Molecular e Celular, a equipa “Biologia do Desenvolvimento” do IBMC integra ainda um outro investigador doutorado e dois estudantes de doutoramento. Voltado para temas como a Genética Molecular, a Genómica Funcional e a Biologia Celular, o trabalho de Paulo Pereira, Joana Marinho, Torcato Martins e Marta Neto incide sobre a regulação do crescimento e proliferação das células no contexto da formação de tecidos. Em particular, tem sido aprofundada a questão da regulação genética na formação da retina de Drosophila (mosca-da-fruta), usada como modelo biológico.

Fonte: http://noticias.up.pt