Oficina CEER
 03-02-2011
INVESTIGADORES DA UNIVERSIDADE DO PORTO RECEBEM PRÉMIO DE EPIDEMIOLOGIA CLÍNICA

Investigadores da Universidade do Porto, integrados no grupo de estudos da SACiUCI (Sépsis Adquirida na Comunidade e internada em Unidade de Cuidados Intensivos), receberam no passado dia 27 de Janeiro, em Lisboa, das mãos da Ministra da Saúde Ana Jorge, o Prémio Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa / Merck Sharp & Dohme em Epidemiologia Clínica 2010, no valor de 20 mil euros, por um trabalho intitulado Epidemiology of Community-Acquired Sepsis admitted in Intensive Care: a large multi-center prospective cohort study.

Este estudo contou com a colaboração de clínicos de 17 unidades de cuidados intensivos de todo o país, que integram o Grupo de Estudos da Sépsis Adquirida na Comunidade e internada em Cuidados Intensivos - SACiUCI, liderado por António Carneiro e foi submetido a concurso, em nome do Grupo de Estudos sobre SACiUCI, por Teresa Cardoso e António Carneiro, do Hospital de Santo António e por Orquídea Ribeiro e Altamiro da Costa Pereira, do Serviço de Bioestatística e Informática Médica, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

De acordo com os autores, “este é o maior estudo, em Portugal, sobre epidemiologia da sepsis adquirida na comunidade, com resultados de unidades de cuidados intensivos de Norte a Sul de Portugal (representando 41% de todas as unidades nacionais), que incluíram cerca de 900 doentes com sépsis, durante um ano para permitir a identificação de possíveis variações sazonais”. Durante o período de estudo, foram admitidos 4142 pacientes adultos nas Unidades de Cuidados Intensivos participantes, tendo 22% revelado sépsis adquirida na comunidade. Destes, 40% sofreram sepsis grave e metade entrou em choque séptico. As infecções respiratórias foram a causa mais comum da septicemia (61%), seguidas das infecções intra-abdominais e urinárias, com taxas de 18 e 7%, respectivamente. Foi ainda calculada a taxa de mortalidade ao fim de um período de 28 dias, observando-se que 18% dos pacientes faleceram no seguimento de sépsis, 20% devido a sépsis grave e 44% como resultado de choque séptico – dados reveladores da relação entre a gravidade da septicemia e o risco de mortalidade e que salientam a necessidade de diagnosticar e tratar a sépsis o mais precocemente possível.

Os autores destacam que “a sépsis adquirida na comunidade é uma causa importante de admissão nas Unidades de Cuidados Intensivos, representando cerca de um quarto de todos os internamentos verificados neste estudo”. De acordo com Teresa Cardoso, primeira autora deste trabalho, “uma adequada caracterização do perfil microbiológico, por foco de infecção, é fundamental no desenvolvimento e revisão das recomendações de antibioterapia empírica eficaz, um importante factor de prognóstico.” Teresa Cardoso, médica na Unidade de Cuidados Intensivos Polivalente do Hospital de Santo António e assistente de Semiologia Médica e Cirúrgica do Mestrado Integrado de Medicina doInstituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, frequenta o primeiro ano do Programa Doutoral em Investigação Clínica e em Serviços de Saúde na FMUP, sob a orientação dos professores António Sarmento e Altamiro da Costa Pereira.

O Prémio SCML/MSD encontra-se na sua segunda edição, tendo sido criado em 2009 com o objectivo de contribuir para dinamizar a investigação científica em Ciências da Saúde em Portugal, nomeadamente na área da Epidemiologia Clínica.

Fonte: http://noticias.up.pt