Oficina CEER
 09-06-2011
INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR PORTUGUESAS RECLAMAM MAIS APOIO DO ESTADO PARA COOPERAÇÃO

O presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), Sobrinho Teixeira, reclamou hoje "uma atitude mais pró-ativa e maior envolvimento" do Estado português na cooperação para a expansão do ensino superior nos países lusófonos. O representante dos politécnicos portugueses realçou que "o apoio não tem de ser necessariamente financeiro, mas sobretudo diplomático", e que o Governo encare as instituições de ensino superior como "agentes exportadores do Estado português". "O ensino superior português tem de ser visto no futuro como entidade estratégica exportadora do Estado, como de facto um dos agentes exportadores do Estado português e do garante do seu futuro em termos de afirmação", defendeu. O presidente do CCISP falava à agência Lusa à margem do XXI encontro da Associação de Universidades de Língua Portuguesa (AULP), que termina hoje, em Bragança, e que teve como anfitrião o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), instituição à qual também preside.

Nas intervenções de representantes de alguns países africanos destacou-se o papel que o Brasil tem assumido no apoio à expansão do ensino superior no mundo lusófono. "Acho que Portugal vai ter de ter uma atitude mais pró-ativa, não por uma competição com o Brasil, mas por um processo também de afirmação e de interajuda", defendeu. Para Sobrinho Teixeira, "é preciso mais envolvimento do Estado português, algum financiamento, mas muito de apoio de diplomacia e muito empenho na realização". "Há apoios que podem ser dados pelo Estado que não passam só por financiamento. Precisamos de apoio diplomático, ou seja, há uma atitude voluntarista das instituições mas eu penso que nós devemos ter o nosso corpo diplomático a apoiar este tipo de ações", concretizou. O presidente do CCISP referiu-se à aposta que o Brasil está a fazer nesta área com um programa em que duplicou o número de vagas nas universidades federais, uma injeção financeira no ensino superior que triplicou em cinco anos e a criação de universidades temáticas como a luso-afro-brasileira. "Há, de facto, aqui um apoio estrutural e uma opção estratégica da parte do Governo brasileiro de afirmação no seio da lusofonia. Naturalmente que Portugal tem também de aqui encontrar o seu campo de afirmação", considerou.

Perante as dificuldades financeiras que Portugal enfrenta, o representante dos politécnicos entende que o país tem de decidir para onde devem ser direcionados os poucos recursos e defende que "as instituições de ensino superior portuguesas, universidades e politécnicos, devem ser ajudadas nesse processo afirmativo relativamente ao espaço da lusofonia". Enquanto presidente do CCISP, considera que "os institutos politécnicos têm na lusofonia um campo muito aberto para a sua atuação" e que, além da mobilidade de alunos e professores, a cooperação deve virar-se, sobretudo, para o apoio à criação de instituições e cursos nesses países.

Fonte: http://umonline.uminho.pt