Oficina CEER
 13-09-2011
COBRE INDUZ ENVELHECIMENTO CELULAR

Um estudo científico desenvolvido por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), publicado na revista científica Age, demonstrou que o cobre pode estar envolvido no processo de envelhecimento celular, agindo sobre as células humanas da mesma forma que outros oxidantes, tais como a radiação UV, por exemplo.

O cobre é um elemento essencial para o bom funcionamento do nosso organismo, estando presente em diversos alimentos, como as ostras, fígado, cacau, nozes, entre outros. No entanto, quando existe em concentrações muito elevadas, ou quando se regista uma desregulação do seu metabolismo, ele associa-se a doenças cerebrais e hepáticas. Aliás, sabe-se que a acumulação de cobre está envolvida no desenvolvimento de patologias associadas à idade, tais como o Alzheimer, por exemplo.

Liliana Matos, autora principal deste estudo, refere que durante o envelhecimento há acumulação de vários metais nas células humanas, mesmo quando não existe nenhuma patologia associada. É por isso que é importante avaliar a influência desses metais no processo de envelhecimento, salienta a autora.

Assim sendo, no âmbito do seu projeto de doutoramento, a investigadora da FMUP optou por estudar o impacto do ferro e do cobre no envelhecimento celular. Para desenvolver este trabalho, foi essencial utilizar técnicas de indução de senescência (envelhecimento celular) prematura in vitro, com o objetivo de verificar se esses metais induzem, por si só, o envelhecimento.

Os trabalhos referentes ao ferro ainda não são conclusivos mas, relativamente ao cobre, ficou comprovada a sua relação direta com o processo de envelhecimento.

A próxima etapa passa por compreender os mecanismos moleculares específicos que levam o cobre a induzir a senescência. Conhecendo esses mecanismos, poder-se-á tentar agir sobre eles, controlando o efeito negativo da acumulação do cobre nas células.

Este trabalho poderá, a longo prazo, ter implicações clínicas relevantes no desenvolvimento de terapias para o Alzheimer e a Doença de Wilson.

Fonte: www.noticias.up.pt