Oficina CEER
 16-09-2011
GRAVURAS RUPESTRES ATRAEM ARQUEÓLOGOS

Na freguesia de Carreço, concelho de Viana do Castelo, as gravuras rupestres da Laje da Churra estão a concentrar o interesse e os trabalhos de uma equipa de arqueólogos. Isto porque aquele espaço - que terá começado a ser usado como local sagrado entre 3.000 e 4.000 AC é um dos dez importantes locais de interesse identificados na Serra de Santa Luzia.

A Serra de Santa Luzia, em Viana do Castelo, está a receber investigações arqueológicas que já permitiram identificar uma dezena de sítios pré-históricos de interesse, entre as quais uma laje classificada como rara.

Quem passar pelo Lugar de Paço, na freguesia de Carreço, encontra na rua da Cachoila uma laje granítica com um grande conjunto de gravuras rupestres que a arqueóloga Ana Bettencourt considera uma das mais importantes do país. A coordenadora do projecto Espaços Naturais, Arte Rupestre e Deposições na Pré-História (ENARDAS), revelou à Agência Lusa que no local, identificado pela primeira vez há cerca de 40 anos, já foram encontrados 1.200 motivos rupestres, quando inicialmente eram uma dezena. E a laje até está partida, o que dá conta da dimensão que poderá ter tido na pré-história, explicou Ana Bettencourt. Não sabemos, ao certo, quando passou a ser sagrado, simbólico, para aquelas pessoas. Mas até à Idade do Ferro foi usado por várias comunidades, garantiu à Lusa.

De acordo com a arqueóloga, a Lage da Churra foi um lugar cerimonial, activo durante cerca de 3000 mil anos, entre os finais do IV milénio a.C. (Calcolítico) e os finais do I milénio a.C. (Idade do Ferro). Durante esse tempo ali foram sendo gravados centenas de signos que aumentaram o carácter simbólico e religioso deste lugar, de fácil acessibilidade, pelo que poderia ter sido frequentado por inúmeras pessoas no âmbito de diversos ritos colectivos, explica numa nota publicada na página da junta de freguesia de Carreço, na internet. Entre os signos encontrados há desenhos de cervídeos e cavalos, cavaleiros, armas, composições circulares, barcos, paletas, entre outros, que constituem preciosa informação sobre a complexidade dos mitos e das crenças da pré-história, muito provavelmente ligadas aos ciclos solares, às águas e à terra. É ao nascer do sol que as gravuras rupestres têm melhor visibilidade.

Trabalhos até 2013
A Laje da Churra é um dos mais de dez locais de interesse já identificados desde Maio pelos especialistas em toda a Serra de Santa Luzia, num trabalho que se vai prolongar até 2013, no âmbito do projecto Enardas. Este inverno vão ainda analisar a água de uma nascente que existe junto da Laje da Churra, descrita pela população como mais quente do que a habitual, o que pode indiciar possuir características terapêuticas, conhecidas há milhares de anos. Em Viana do Castelo, estes trabalhos decorrem entre as freguesias de Santa Maria Maior, Carreço, Areosa e São Mamede. Estamos a tentar compreender, entre outros aspectos, em termos culturais e religiosos, qual a importância simbólica de alguns lugares da Serra para as comunidades pré-históricas, explicou Ana Bettencourt.

O projecto Enardas é promovido por especialistas da Universidade do Minho em conjunto com investigadores espanhóis e ingleses, além de outros portugueses, e desenvolve-se entre Viana do Castelo e a Figueira da Foz, em serras como Senhora da Boa Viagem, Senhora da Graça, da Freita ou Monte da Penha. O objectivo é a pesquisa e estudo dos vestígios da pré-historia, entre 5.000 a 1.000 AC, inventariando e estudando lugares com gravuras rupestres tumulares e de depósitos metálicos. Além dos trabalhos de investigação, o projecto tem uma valência social, ao fornecer aos municípios que apoiam a iniciativa, uma lista de sítios arqueológicos possíveis de serem valorizar turisticamente no futuro, além de uma página de internet com dados de toda a investigação.

Fonte: www.uminho.pt