Oficina CEER
 30-09-2011
LAVAGANTES CRIADOS EM CATIVEIRO FORAM LANÇADOS AO MAR DA AGUDA PARA IMPEDIR A EXTINÇãO DA ESPÉCIE

Lavagantes criados em cativeiro foram lançados ao mar da Aguda para impedir a extinção da espécie.

Quarenta lavagantes foram ontem lançados ao mar, na praia da Aguda, num projecto conjunto da Estação Litoral da Aguda (ELA) e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS). O objectivo é conseguir o repovoamento do mar da Aguda com lavagantes, através do lançamento sistemático de exemplares da espécie, nascidos e criados em cativeiro.

O projecto teve início em 2006, quando se considerou pela quantidade de lavagantes encontrados e pela reduzida dimensão dos exemplares capturados que a cie estava ameaçada de extinção. Ontem, pela primeira vez, a ELA lançou ao mar lavagantes nascidos e criados na estação. Para isso, foi necessário um grande investimento por parte da fundação que gere a ELA e que pertence à Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.

Até este ano, a ELA criou 112 exemplares recolhidos no mar, que foram depois devolvidos ao seu habitat natural, devidamente identificados, através de uma injecção de tinta de cor no tecido do abdómen do crustáceo. Nos anos seguintes, procedeu-se à recaptura dos lavagantes devolvidos ao mar e foram efectuados estudos para se perceber como é que a espécie se desenvolvia no habitat natural.

O que, à partida, poderia parecer uma tarefa difícil a recaptura, revelou-se, afinal, uma operação realizada, até à data, com relativo sucesso. Em termos globais, a taxa de recaptura ronda os 10%, tendo sido já possível concluir que um exemplar juvenil pode aumentar até meio quilo num ano e crescer seis centímetros, explica Mike Weber, investigador do ICBAS e principal responsável pela ELA. Para atingir a idade adulta e um peso de quatro quilos, o lavagante precisa de 50 anos. O elevado valor que este marisco atinge no mercado levou à sua sobrepesca e, muitas vezes, ao desrespeito pela legislação que protege os exemplares mais pequenos da espécie, explica o investigador.

Os lavagantes devolvidos ontem ao mar foram instalados, com a ajuda de um mergulhador, em reentrâncias das rochas existentes a mais de 30 metros de profundidade, e afastadas quase dois quilómetros da costa. Para o ano, os responsáveis pela iniciativa esperam conseguir recapturar alguns dos crustáceos lançados ontem ao mar e perceber como é que estes exemplares nascidos na ELA se adaptaram ao habitat natural da sua espécie. Se os resultados forem positivos, os investigadores ficarão com a certeza de que é possível, desta forma, repovoar os mares com um número razoável de lavagantes e impedir a extinção da espécie.

Fonte: www.uminho.pt