Oficina CEER
 05-12-2011
ESTRATÉGIAS REPRODUTORAS DAS AVES INSULARES

O artigo “Evolution of reproductive life histories in island birds worldwide” de Rita Covas Monteiro do CIBIO, publicado no jornal “Proceedings of Royal Society B”, procurou demonstrar que existem diferenças consistentes entre a reprodução das aves das ilhas oceânicas e a dos seus parentes mais próximos no continente.

As ilhas oceânicas ocupam um lugar central no desenvolvimento das teorias evolutivas e ecológicas dada a sua simplicidade e diversidade. Esta simplicidade está na base da origem de um conjunto de adaptações ao meio insular, agrupadas sob o termo ‘síndroma das ilhas’, que inclui uma grande diversidade de carateres – que vão desde morfologia (ex: diminuição das asas e perda da capacidade de voar) ao comportamento (ex: perda de defesas contra predadores e de territorialidade).

Entre as mudanças evolutivas mais importantes que se pensa ocorrerem nas ilhas estão as alterações das estratégias reprodutoras, pelo que se julga que as espécies insulares têm uma menor fecundidade e uma maior longevidade.

O estudo revela que as espécies insulares apresentam em geral uma diminuição de fecundidade, mas por outro lado põem ovos de maior tamanho, dedicando mais tempo à incubação dos mesmos e ao cuidado das crias. Desta forma conclui-se que as espécies insulares investem menos na quantidade e mais na qualidade das crias.
Um outro resultado revelado pelo estudo permitiu verificar um aumento importante do comportamento de ‘cria cooperativa’ encontrado nas ilhas. Nas espécies com “cria cooperativa” há adultos que não se reproduzem, mas ajudam pares reprodutores a alimentar e cuidar das suas crias, trazendo comida para o ninho e participando noutras tarefas, como a defesa do território. Este modo de cooperação é relativamente raro no continente (cerca de 7% das aves neste estudo), mas nas ilhas cerca de 33% das espécies exibem este tipo de cooperação.

As características das aves insulares reveladas no estudo podem ainda resultar de um ambiente benigno nas ilhas: climas mais amenos que as zonas continentais à mesma latitude, menos predadores e, possivelmente, menos parasitas são fatores que se pensa levarem a uma maior sobrevivência das espécies insulares – um fenómeno que é, aliás, observado em populações humanas. Esta maior sobrevivência por sua vez favorece uma alteração do ciclo de vida, que leva a uma atividade reprodutora mais lenta. JS e RC/ CIBIO

Imagem: Martim Melo

Fonte: noticias.up.pt