Oficina CEER
 09-12-2011
PROF. JAIME ROCHA GOMES DA UMINHO VENCE GRANDE PRÉMIO BES INOVAÇÃO

A aplicação de nanopartículas de sílico coloridas para tingir tecidos, criada por uma equipa da Universidade do Minho, venceu a sétima edição do Grande Prémio BES Inovação. A tecnologia, chamada Nanocor, é uma revolução na indústria têxtil mundial. Não polui, não exige sal e poupa 70% da água no processo. Além disso, a cor fica mais intensa, uniforme e sólida face à lavagem ou ao atrito. O promotor do conceito é Jaime Rocha Gomes, professor catedrático de Engenharia Têxtil da UMinho.

As vantagens do projeto devem sentir-se dentro de uma década. A aplicação põe assim fim à deposição de corantes nos efluentes, que são de difícil eliminação e bloqueiam a luz à fauna e flora. Em certas zonas do globo, os governos estão mesmo a fechar indústrias de tingimento por falta de abastecimento de água e pela salinização excessiva dos rios e solos envolventes, que impede a agricultura. ‘Este prémio vai divulgar o Nanocor e permitir avaliar a sua viabilidade económica. Vamos registar a patente internacional e ajudar a empresa Ecoticket, spin-off da UMinho, a melhorar a tecnología’, refere Rocha Gomes. Na empresa estão também César Martins, João Gomes, Adriana Duarte e Sandra Sampaio.

As nanopartículas coloridas aplicam-se a todas as fibras naturais, incluindo o cabelo. A equipa de Jaime Rocha Gomes publicou na revista internacional ‘Coloration Technology’ resultados de experiências em que se consegue várias cores e com resistência às lavagens com champô. Evita-se assim os corantes que podem ser potencialmente alérgicos e, a prazo, cancerígenos.

Polímero remove e reutiliza fósforo.
Na rubrica de Recursos Naturais e Alimentação ganhou outro projeto da UMinho. A um plástico aparentemente comum foi adicionado alumínio. Objetivo? Remover o fósforo acumulado em reservatórios de água, o qual alimenta as algas e cianobactérias, que ao entrarem na cadeia alimentar podem ser perigosas para o Homem. O projeto permite ainda recuperar e reutilizar o fósforo, cujas reservas mundiais são escassas.

A investigação premiada envolve o Centro de Engenharia Biológica e o Instituto de Polímeros e Compósitos, ambos da UMinho. Partiu do doutoramento de Manuel Gonçalves de Oliveira, sob orientação das professoras Ana Vera Machado e Regina Nogueira. Metade dos lagos e reservatórios da Europa, Ásia e América são afetados pelo consumo excessivo de fertilizantes e este grave problema levou os governos a criar leis mais exigentes na regeneração ambiental.

Mais informações em:
http://www.bes.pt/sitebes/cms.aspx?plg=1aa0aa4b-8d3c-4739-9092-97af290e1503