Oficina CEER
 21-12-2011
AS NOVAS CARTAS PORTUGUESAS 40 ANOS DEPOIS

O projeto “Novas Cartas Portuguesas 40 anos depois” tem por objetivo criar uma rede transcultural e internacional em torno do livro Novas Cartas Portuguesas, publicado em 1972 por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, dando conta da investigação desenvolvida em Portugal e em vários países ocidentais nos últimos quarenta anos em torno de Novas Cartas Portuguesas.

A iniciativa é coordenada por Ana Luísa Amaral, docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e conta com uma larga equipa internacional de investigadores.

Banido nos anos 70, o livro foi imediatamente traduzido na Europa e nos Estados Unidos da América, encontrando-se, ainda hoje, entre as obras portuguesas mais traduzidas em todo o mundo. A apreensão do livro e o processo instaurado às três autoras no contexto do Estado Novo provocou uma onda internacional de apoio inédita na história da literatura portuguesa, tendo os protestos e as manifestações em prol da causa das “Três Marias”, como viria a ficar conhecido o processo, atingindo proporções inimagináveis: desde a cobertura do julgamento feita pelos meios de comunicação internacionais (The Times, Le Nouvel Observateur, CNN, etc.) até às manifestações feministas em várias embaixadas de Portugal no estrangeiro, passando ainda pela defesa pública da obra e das autoras levada a cabo por nomes como Simone de Beauvoir, Marguerite Duras, Doris Lessing, Iris Murdoch ou Stephen Spender, foram várias as ações que fizeram com que este caso fosse votado, numa conferência patrocinada pela National Organisation for Women (NOW), como a “primeira causa feminista internacional”.

Abordando questões que se mantêm cruciais para a agenda política contemporânea, como a guerra e os conflitos, a violência, a discriminação, a feminização da pobreza, a (ausência de) liberdade, a colonização do corpo politico e a imigração, entre muitas outras questões, Novas Cartas Portuguesas continuam a despertar a consciência social e a promover a construção de novos mapas de entendimento e de uma humanidade comum. Enquanto objeto literário, Novas Cartas encontra-se igualmente entre os textos mais inovadores do século XX, desestabilizando e questionando noções convencionais como as de autoria, autoridade e género literário. Recorde-se que o livro, composto por 120 textos (incluindo cartas, poemas, relatórios, textos narrativos, ensaios e citações), foi escrito coletivamente pelas três autoras, que, no entanto, não assinam individualmente qualquer um desses mesmos textos.

Fonte: noticias.up.pt