Oficina CEER
 28-12-2011
INVESTIGADORA DA UMINHO CRIA LINHA DE BRINQUEDOS PARA CRIANÇAS CEGAS

Leonor Pereira afirma que a sociedade atual não é completamente inclusiva.

São brinquedos coloridos, com texturas e materiais diferentes que foram concebidos “expressamente a pensar em crianças com dificuldades visuais”, explica Leonor Pereira, mestre em Engenharia Têxtil pela Universidade do Minho, que desenvolveu a dissertação “Design Inclusivo: Tocar para Ver – Brinquedos para Crianças Cegas e de Baixa Visão”. Esta linha de brinquedos, completamente inovadora, visa ajudar as crianças a interagir de forma saudável com os restantes colegas. “É incluí-las a todos os níveis, proporcionar-lhes maneiras de brincar, conviver e interagir entre as duas realidades”, explica.

Não basta criar peças de design por si só, esclarece Leonor Pereira, que é professora do ensino básico há vários anos. O objetivo principal é conceber objetos com qualidade estética e táctil, que visa proporcionar uma maior integração das crianças com problemas visuais no meio envolvente. O desenvolvimento da motricidade fina e da perceção de texturas por parte das crianças envolvidas é notório: “São brinquedos que elas podem explorar com as mãos, descobrindo as diferentes texturas, reconhecendo as formas, os pormenores, as semelhanças e as dissemelhanças, bem como estimulando a coordenação e a integração dos sentidos”.

Estas peças foram testadas por crianças de um jardim-de-infância do distrito de Aveiro, com idades compreendidas entre os 3 e 6 anos. O feedback foi “muito positivo” e os resultados decorrentes desta nova forma de inclusão social foram vantajosos: “A interação entre as crianças foi extremamente engraçada. Foi muito enriquecedor verificar que elas perceberam o sentido da brincadeira e partilharam a mesma experiência do que as restantes”, certifica a professora.

As peças foram construídas com base nas texturas, nos relevos e nas cores, recorrendo, por isso, a diferentes malhas e bordados, percetíveis através do tato. Leonor Pereira aproveita para referir a escassez de brinquedos adaptados para este público, obrigando os educadores a construir do zero objetos didáticos, sem terem muitas vezes formação para tal tarefa. A comercialização é uma opção a considerar: “Ficamos com uma forte vontade de concretizar este projeto e torná-lo mais real, à disposição de todos”.

“Não vivemos propriamente numa sociedade inclusiva”

A pouca formação dos professores relativamente à educação especial é uma das críticas apontadas pela antiga aluna da Escola de Engenharia da UMinho. “É muito difícil conseguirmos perceber as necessidades das crianças cegas, autistas ou surdas. Temos sempre o apoio dos professores do ensino especial, que trabalham especificamente com eles, mas nem sempre é suficiente”, explica. A formação inicial, a aposta em equipamentos e a adaptação dos espaços nas escolas são algumas das dicas deixadas. Esta não é, segundo Leonor Pereira, uma sociedade completamente inclusiva, porque ainda há muitas barreiras: “As crianças com deficiências não usufruem das mesmas oportunidades do que as restantes”, conclui.

Contactos
Leonor Pereira – 962674986; leonordpereira@gmail.com

Fonte: uminho.pt