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Oficina CEER
 18-01-2012
A DIÁSPORA DOS INVESTIGADORES DO CIBIO PASSA NA RTP

É um projeto inédito que nos vai levar até aos últimos burros selvagens, que habitam o Vale de Afar, na Etiópia, onde nem a BBC conseguiu chegar, até à Palanca negra angolana, que se julgou estar em vias de extinção e foi descoberta por um investigador do CIBIO, ou até os crocodilos da Mauritânia. Mas não só. O que também vamos ficar a saber é o que tanto faz vibrar, o que tanto apaixona estes jovens e brilhantes investigadores, com mérito reconhecido internacionalmente, e os faz "montar a tenda" nos locais mais inóspitos do planeta. Está a ser preparada uma série de documentários para a RTP sobre biodiversidade e vida selvagem, que será rodada nos locais para onde viajam muitos dos cerca de 300 investigadores do CIBIO, com projetos espalhados por todo o mundo.

As filmagens já começaram, jornalista, dois operadores de câmara e um de som, já partiram para o terreno. O primeiro episódio foi rodado no deserto do Saara, na Mauritânia, onde José Carlos Brito (vencedor de duas bolsas da National Geographic) estuda crocodilos. Durante uma expedição pelo Saara e pelo Sahel, que demorou vários meses, tentou-se identificar, explica a jornalista Sandra Inês Cruz (ao lado, na fotografia), "a localização exata das lagoas onde os crocodilos podem permanecer durante todo o ano, mas também tentamos perceber se há comunicação entre as várias populações de crocodilos espalhadas por estes vários `oásis`". Depois a equipa seguiu para África do Sul, para o Deserto do Kalahari, ao encontro de Rita Covas, que observa a cria cooperativa nos tecelões sociais. São aves que fazem ninhos numa estrutura comunitária que funciona um pouco como condomínio.

Agora só falta... o resto do mundo. É uma viagem que irá demorar cerca de três anos, para realizar um mínimo de 26 documentários e que, para além do trabalho de campo, irá também acompanhar a investigação que se faz em laboratório nos vários locais do mundo com os quais existem parcerias. O objetivo é observar como são tratadas as amostras que foram recolhidas. Isto irá, explica a jornalista da RTP, "complementar as gravações do trabalho de campo, demonstrando o tratamento que recebem os dados que são recolhidos".

A equipa de reportagem já tem o roteiro traçado. Depois da Mauritânia e da África do Sul, há que atravessar o Atlântico. O trabalho irá prosseguir na Mata Atlântica, no Brasil, que abrange ainda parte do território do Paraguai e da Argentina. Em fevereiro será tempo de voltar a fazer as malas e seguir para São Tomé e Príncipe, mais um ponto neste itinerário que os irá levar (e aos telespetadores) até Cabo Verde, para cumprir outro dos objetivos deste projeto: abordar a biodiversidade humana. É que a população de Cabo Verde, diz-nos Sandra Inês Cruz, "é das mais miscigenadas do planeta. Constitui um exemplo único. Há, mais-ou-menos na mesma proporção, a mesma quantidade de sangue africano e europeu". Depois há que seguir rumo a Angola para encontrar a Palanca negra gigante, "uma espécie que se julgou estar extinta e que foi redescoberta por um doutorando do CIBIO", acrescenta a jornalista. Daí a convicção de que este será "um tema extremamente interessante e com importância a nível mundial". E a viagem prossegue: Estados Unidos, Austrália, Cáucaso, China, Mongólia e, se tudo correr como o previsto, iremos conhecer os burros da Etiópia, estudados pelo investigador Albano Beja-Pereira. "E aí poderemos bater a BBC", afirma o Diretor do CIBIO, Nuno Ferrand. É que a própria BBC, acrescenta a jornalista da RTP, "já tentou fazer um documentário, mas as condições no terreno são muito complicadas". Nuno Ferrand explica que "um dos investigadores do CIBIO é etíope", garantindo, assim, "o apoio local necessário, em termos de segurança e de logística, para que a equipa de filmagem se desloque ao Vale do Afar, que é onde residem os últimos burros selvagens. Foi a partir dessas populações que foram domesticados todos os burros domésticos que conhecemos e que se estão a extinguir. O programa servirá de pretexto para falar sobre os últimos animais selvagens e também sobre as diferentes raças de burros que existem em Portugal".

Para além de contar a história das espécies, recorrendo ao olhar apaixonado do investigador, e das várias dimensões pedagógicas que esta ação abarca, este projeto inédito, mostra o trabalho de excelência que se faz por cá. Nuno Ferrand acredita que demonstrar a curiosidade, a entrega e a dedicação dos investigadores do CIBIO irá "influenciar gerações e gerações de jovens. Temos um papel de liderança a nível global. Estamos a fazer investigação em todo o mundo, e isto é um exemplo do bom que se pode fazer em Portugal".

Tendo como parceiros a RTP e o Jornal Público, a candidatura deste projeto foi apresentada à Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica Ciência Viva, saiu vencedora, obteve ainda financiamento de um programa europeu, e conta já com alguns parceiros privados interessados no projeto, o que poderá significar que dos 26 se passe para os 39 episódios. Nesta série estarão envolvidas pessoas de mais de 25 nacionalidades e muitos parceiros internacionais, daí que se aponte já como objetivo o mercado internacional para a divulgação deste conjunto de documentários em canais como o Discovery. Vai ser também publicado um livro que fará a síntese desta odisseia. Depois da passagem do CIBIO a Laboratório Associado, este é um outro grande projeto para o CIBIO. AS / REIT

Fonte: http://noticias.up.pt