Oficina CEER
 13-03-2012
ALERTA DE AQUECIMENTO GLOBAL NAS ZONAS COSTEIRAS

“Three decades of high-resolution coastal sea surface temperatures reveal more than warming”, assim se intitula o artigo recentemente publicado na revista Nature Communications pelo investigador Fernando Lima do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto (CIBIO-UP).

O estudo realizado por Fernando Lima e David Wethey (University of South Carolina, USA) reforça a noção que os ecossistemas costeiros estão entre os ecossistemas mais expostos aos recentes aumentos de temperatura global, o que poderá ter consequências importantes para a biodiversidade e para a sua capacidade em fornecer bens e serviços à sociedade.

Através da análise de três décadas de temperaturas para todas as zonas costeiras do planeta (continentes e ilhas), obtidas por satélite e cedidas pelo National Climate Data Center da National Oceanic and Atmospheric Administration, foi possível demonstrar que embora 71% das zonas costeiras estejam a aquecer significativamente, as taxas de aquecimento têm sido heterogéneas, quer temporalmente, quer na sua sazonalidade. Por outro lado, 46% das zonas costeiras têm vindo a sofrer uma diminuição na frequência de eventos extremamente frios, enquanto o número de dias extremamente quentes tem vindo a aumentar em 38% da área. Já o aquecimento sazonal primaveril está a acontecer cada vez mais cedo em 36% das zonas costeiras temperadas. Estes dados mostram assim que o aquecimento global é muito mais do que um simples aumento homogéneo e monotónico das temperaturas.

O site http://www.coastalwarming.com/, construído para albergar os resultados do estudo, permite a qualquer pessoa selecionar uma porção costeira ou mesmo uma localidade, extrair os dados e observar quanto essa zona tem aquecido ou arrefecido, tendo acesso a todas as estatísticas calculadas.

Fonte: noticias.up.pt