Oficina CEER
 13-06-2012
ESTAR NA FACULDADE CUSTA EM MÉDIA UM SALÁRIO MÍNIMO POR MÊS

Estudar no privado custa três vezes mais.

Mas no caso dos estabelecimentos privados, os custos com educação (propinas, taxas, livros, computadores) assumem um peso maior, representando quase metade da despesa total. E se atendermos apenas a estas despesas, conclui-se que estudar no privado custa três vezes mais do que no público.

O relatório “Quanto custa estudar no ensino superior português”, que é hoje apresentado e a que o Negócios teve acesso, mostra que os estudantes portugueses se inserem numa das três seguintes situações:

os que frequentam uma instituição pública do litoral e vivem em casa dos pais com um custo total de 4465 euros por ano; os que estudam numa instituição pública do litoral e vivem em quarto ou casa alugada e têm, neste caso, um encargo anual de 7187 euros e os que estão em instituições privadas do litoral e vivem em casa dos pais. Estes últimos desembolsaram 8248 euros durante o ano de 2010/2011. Os gastos dos alunos variam ainda também consoante o curso que escolham.

Alunos portugueses gastam mais do que alemâes e franceses.
Os especialistas que colaboraram neste estudo coordenado por Luisa Cerdeira, da Universidade dc Lisboa, procuraram ainda enquadrar os gastos com a educação superior, em Portugal, no contexto internacional e concluíram que “a acessibilidade financeira dos estudantes portugueses é desfavorável no contexto internacional”.
A sustentar esta afirmação está o facto de o custo líquido com a educação (descontados o apoio social médio por estudante, as deduções fiscais e os subsídios do Estado para empréstimos) representar cerca de 63% da mediana do rendimento português, acima de países como a Alemanha, a França, a Suécia e a Letónia, por exemplo.

Contributo das famílias tem crescido e o do Estado caído.

Os autores do estudo analisaram ainda o custo do ensino superior público. E comparando o ano de 2010/2011 com 2004/2005 verifica-sè que o gasto do Estado por aluno caiu 13.1% e o das famflias aumentou 10%, continuando estas últimas a arcar com a maior despesa. O estudo que é hoje apresentado resultou de um inquérito a 1039 alunose permite ainda perceber que a maioria dos alunos do ensino superior provém de familias com mais qualificações.

Menos bolsas atribuidas, mas mais empréstimos.

Em 20 10/11, 28.6% dos alunos que frequentavam instituições de Ensino Superior eram bolseiros, uma percentagem inferior à verificada em 2004/05(34.8%). Dos alunos bolseiros. 37% recebiam menos de 100 euros por mês e 34.7% recebiam entre 201 e 400 euros mensais. “Em 2010/2011, o valor da bolsa média do ensino público cobre 29% dos custos totais dos estudantes do ensino público e a bolsa média do privado cobre 17% dos custos totais”, conclui Luisa Cerdeira. Por contraste ao número de bolsas em queda, os empréstimos aumentaram. Em 2010/2011,4,9% dos estudantes tinham contraido um empréstimo perante os 1,6% de 2004/2005. Foram os alunos do privado a recorrerem mais a esta ajuda.

Alunos de artes e línguas são os que mais gastam.

São os alunos que frequentam cursos de artes, humanidades e línguas, logo seguidos dos de gestão e ciências computacionais que mais gastam para se formar. Já os estudantes de engenharias e ciências são dos que menos gastam, ficando abaixo da média (6624 euros). São sobretudo os custos de vida que fazem disparar algumas facturas.

Fonte: uminho.pt