CEER
 22-08-2012
INIVESTIGADORA DA UMINHO CRIA MODELO PARA ATENUAR DOR PÓS-CIRÚRGICA

Um estudo da Universidade do Minho revela que as mulheres com maior probabilidade de sofrer dor aguda severa após a cirurgia são jovens, têm problemas de dor crónica, níveis elevados de ansiedade e dificuldade em lidar com a dor. A avaliação de mais de duzentas mulheres submetidas a histerectomia (remoção cirúrgica do útero) permitiu criar um modelo “eficaz e económico” para intervir junto das mesmas, de forma a atenuar situações extremas de dor pós-cirúrgica. “É possível evitar este sofrimento, que aumenta o risco de morbilidade e mortalidade, o tempo de internamento hospitalar e os custos inerentes aos cuidados clínicos”, explica Patrícia Pinto, investigadora da Escola de Ciências da Saúde e do Laboratório Associado ICVS/3B’s da UMinho.

Este modelo prático visa identificar as mulheres em risco de desenvolver níveis mais elevados de dor aguda e, assim, ajudá-las recorrendo a estratégias de intervenção personalizadas. Os profissionais de saúde poderão avaliar a influência de fatores demográficos, clínicos e psicológicos na intensidade da dor pós-cirúrgica sem precisar de um protocolo complexo e longo que requereria treino especializado. O estudo, intitulado “A catastrofização da dor como variável mediadora entre a ansiedade pré-cirúrgica e a dor aguda pós-cirúrgica após histerectomia”, inclui uma amostra de 203 mulheres avaliadas 24 horas antes e 48 horas depois da cirurgia. Foi recentemente publicado na revista Pain, tendo ainda recebido uma menção honrosa da Fundação Grunenthal.

Resultados pioneiros a nível mundial
Este é o primeiro trabalho no mundo a demonstrar este mecanismo de influência na dor pós-cirúrgica: “A catastrofização envolve a exacerbação do valor da ameaça da dor e generalização do seu impacto negativo, bem como sentimentos de desamparo e pessimismo em relação à capacidade para lidar com esse sofrimento. Quanto maior a catastrofização, maior poderá ser a intensidade da dor após a cirurgia”, explica Patrícia Pinto, que estuda este fenómeno há sete anos. Os resultados adquirem “extrema relevância” na medida em que complementam e clarificam resultados de outros estudos internacionais que incidem na relação entre a ansiedade e a dor. “Agora percebe-se porque é que as intervenções farmacológicas pré-cirúrgicas, através da administração de drogas ansiolíticas, ainda não provaram ser eficazes na redução da dor pós-cirúrgica”, acrescenta.

O estudo conta ainda com a colaboração de Armando Almeida, investigador do ICVS/3B’s e professor da Escola de Ciências da Saúde da UMinho, Teresa McIntyre, da Universidade de Houston (EUA), e Vera Araújo-Soares, da Universidade de Newcastle (Reino Unido).