Oficina CEER
 30-01-2013
NOVOS COMPOSTOS PODEM INIBIR O CRESCIMENTO DOS TUMORES

Coordenado pelo Centro de Química da UMinho, o projeto visa também melhorar o combate às metástases.

Um projeto multidisciplinar englobando três instituições de I&D está a desenvolver novos compostos para ensaios clínicos e posterior aplicação como fármacos antitumorais e/ou antiangiogénicos. A investigação é coordenada por Maria João Queiroz na área da química orgânica (Centro de Química da UMinho) e articulado com contributos da química computacional (Instituto Politécnico de Bragança) e da biologia celular e molecular (Faculdade de Medicina da Universidade do Porto).

A angiogénese tumoral é o processo de vascularização que permite o fornecimento de oxigénio e nutrientes às células tumorais. A proposta deste projeto aponta para a síntese de novos compostos que inibam a angiogénese e a progressão dos tumores. Maria João Queiroz frisa que a investigação “centra-se na inibição de recetores membranares de fatores de crescimento celular, de tirosina cinase, envolvidos no crescimento e diferenciação tanto de células tumorais como de células endoteliais”. Segundo a investigadora responsável, “ao inibir estes recetores nos dois tipos de células estamos a evitar que o tumor cresça e vascularize”. Este tratamento “pode ser dual, tratando o tumor e evitando a metástase”.

A obtenção de novos compostos, completamente caraterizados, visa a entrada nos exigentes testes clínicos da indústria farmacêutica. No entanto, assegura a diretora do Centro de Química da UMinho, “tudo depende também da toxicidade dos compostos”, já que alguns “apresentam concentrações de inibição na ordem dos 10 nanoMolar, o que é considerado um resultado excelente, e se estes compostos não forem tóxicos têm uma grande potencialidade para serem aplicados na terapêutica”. Neste caso, poderão depender apenas dos testes farmacológicos, que determinarão a sua utilização clínica, pois “nestas áreas relacionadas com o cancro é de todo o interesse desenvolver novos e eficazes fármacos com baixa toxicidade”.

Este projeto científico, do qual a UMinho é a instituição proponente, tem financiamento da FCT – Fundação para a Ciência e Tecnologia e a publicação conjunta dos resultados finais acontecerá até final do ano.

Fonte: uminho.pt