Oficina CEER
 18-01-2008
Um programa doutoral em nanomedicina comum a seis universidades

É uma união inédita na peninsula ibérica. A Universidade do Porto, a de Aveiro, do Minho, da Corunha, de Santiago de Compostela e de Vigo criaram um programa doutoral em nanomedicina que irá arrancar já no ano lectivo de 2008/2009.

Para além do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, e da Conselheira para a Educação e Ordenamento Universitário da Galiza, Laura Sánchez Piñón, outras 18 instituições portuguesas de investigação e desenvolvimento tecnológico, entre elas dez laboratórios associados (fundamentais para a investigação no terreno), rubricaram o protocolo de adesão.

Este programa doutoral prevê a partilha de docentes e a mobilidade dos estudantes, daí que o passo seguinte, adianta o vice-reitor Jorge Gonçalves, seja "conseguir financiamento para que os estudantes portugueses passem, pelo menos, um semestre nas universidades espanholas e que haja uma co-tutela na orientação das teses de professores das universidade de Portugal e da Galiza".

Após o primeiro ano curricular os estudantes vão ter mais três anos de investigação especializada em aplicações clínicas de nanotecnologias (podendo escolher a universidade que melhor se adapta ao projecto a desenvolver). Os nanodispositivos, a regeneração de tecidos, a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento de doenças são as principais áreas de estudo, associadas a uma tecnologia que permite manipular materiais à escala do nanómetro, algo com uma dimensão cerca de 100 000 vezes mais pequeno do que a espessura de um cabelo.

O contexto da criação deste programa doutoral está directamente ligado ao novo Instituto Ibérico de Nanotecnologias que vai surgir em Braga, e cuja primeira pedra será lançada hoje, dia 18 de Janeiro, durante a Cimeira Ibérica. Pretende-se que esta estrutura, acrescenta Jorge Gonçalves, "venha a ser potenciada pelas instituições de investigação universitária que a rodeiam, quer em Portugal quer na Galiza, mas também que esse instituto potencie as iniciativas que as universidades queiram promover". Uma estratégia a aplaudir, no entender de Jorge Gonçalves: "Promover o crescimento mútuo é boa política. É uma boa base para se estabelecer um clima de confiança. Percebe-se que as universidades terão oportunidades de lançar novos projectos por causa do instituto ibérico e que este não lhes vai tirar oportunidades de desenvolvimento. É um projecto que se está a mostrar aglutinador".

O ministro Mariano Gago garantiu que já existem, actualmente, "mais de uma dezena de projectos conjuntos" entre Portugal e a Galiza e que "nesta Cimeira Ibérica será discutida a abertura de novas áreas de trabalho no domínio das nanociências". O Instituto Ibérico de Nanotecnologias vai ser apresentado durante a Cimeira Ibérica que decorre em Braga e que contará com a presença dos chefes de Governo de Portugal e Espanha, José Sócrates e José Luís Zapatero, para além de vários membros dos respectivos governos. AS/REIT