Oficina CEER
 31-03-2008
Informa-se que se encontra à venda o livro: Geografias Póscoloniais. Ensaios de Geografia Cultural

A publicação Geografias Póscoloniais. Ensaios de Geografia Cultural, coordenada por José Ramiro Pimenta, João Sarmento e Ana Francisca Azevedo, nasce da necessidade acusada de expandir o debate relativamente àquilo que é ou poderá ser a Geografia em contextos pós-coloniais. Representando algumas das problemáticas centrais que têm vindo a desenvolver-se não só em Geografia mas também nos Estudos Culturais, este livro reflecte o trabalhar da teoria cultural pós-colonial por parte de geógrafas e geógrafos. Aglutinando as tensões entre pós-colonialismo e capitalismo global, os diferentes artigos analisam as formas materiais e discursivas de persistência das relações de poder colonial.

Ana Francisca de Azevedo remete o leitor para questões complexas como as que vão da organização do próprio paradigma pós-colonial (e, malheureusement, da sua institucionalização), à tentativa de escritas geográficas das novas e armadilhadas nações pós-coloniais.

Richard Phillips examina a cartografia da sexualidade no contexto da sociedade vitoriana, a partir da leitura contextual do explorador e autor de literatutura viagens, Richard Burton, que foi também o tradutor (e introdutor) das Mil e Uma Noites e do Kamasutra na sociedade londrina dos fins do século dezanove.

José Ramiro Pimenta defende que o modo de produção colonial dominante durante todo o século dezanove se articula com a representação das geografias imaginárias do passado, atribuindo às personagens históricas atributos de oposição estrutural próprias das relações racializadas do presente oitocentista.

James Sidaway e Marcus Power analisam as relações entre as narrativas geopolíticas e visões de portugalidade, com especial atenção para o período pós-1945, no contexto das relações entre o ‘colonial’ e o ‘pós-colonial’ e as articulações Este-Oeste e Norte-Sul nos discursos geopolíticos no século XX e das manifestações contemporâneas de imperialismo.

João Sarmento apresenta uma discussão do processo histórico e da dinâmica actual da construção da identidade timorense, com base na revisão do significado da religião, da língua e das múltiplas relações com a paisagem e a terra.

Matthew Gandy analisa criticamente discursos pós-modernos sobre o urbanismo de cidades do Sul centrando-se em Lagos, capital da Nigéria, e argumentando a necessidade de contextualizar os processos urbanos na geopolítica global.

Os coordenadores têm a noção de que este livro apresenta algumas assimetrias de tratamento que fazem dele um conjunto de estudos mais dirigido a modos de representação da relação pós-colonial, do que às instâncias materiais dessa constituição. Seria desejável que uma obra desta natureza incidisse a sua atenção igualmente sobre os modos de produção concreta das múltiplas relações pós-coloniais, sobretudo das expressões contemporâneas de neocolonialismo. Essa intenção, esperam os editores, poder concretizá-la numa outra série de estudos dedicada a este tema.

Poderiam as contribuições que compõem este livro ter tido origem numa geografia mais alargada e, sobretudo, ter contemplado autores oriundos de diversas regiões do mundo, dando assim origem a uma vasta convocação de identidades e problemáticas. Ainda assim, este livro não prescinde da sua afirmação como obra inserida na visão pós-colonial, dentro da qual cada um de nós experimenta um complexo processo de reposicionamento.

Este é assim o primeiro contributo a que nos propomos neste livro — a aproximação da Geografia portuguesa a problemáticas pós-coloniais que são já correntes quer no pensamento geográfico internacional quer em diversas disciplinas das ciências sociais e humanas em Portugal.