Oficina CEER
 03-06-2009
Inauguração do Centro do Crasto de Palheiros
O Centro Interpretativo do Crasto de Palheiros, município de Murça, será inaugurado a 2 de Junho, pelo ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, a partir das 11h00. As escavações foram iniciadas na segunda metade da década de noventa, continuaram ao longo da actual década, e foram coordenadas por Maria de Jesus Sanches, professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e investigadora do Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto (CEAUCP). Nestas escavações participaram, durante as várias campanhas arqueológicas anuais, estudantes de licenciatura, mestrado e doutoramento da FLUP e de outras universidades portuguesas, espanholas e irlandesas e ainda residentes na região. O local, portanto, tem sido espaço de formação e investigação.

O Crasto de Palheiros, no local designado Fragadas do Crasto, já foi considerado pelo presidente da Câmara de Murça, João Teixeira (licenciado em História pela U.Porto), “um dos cinco mais importantes no roteiro dos castros ibéricos”, de acordo com o sítio do Município de Murça na Internet. No entanto, o local terá tido ocupação humana ainda antes da época dita castreja, desde o terceiro milénio antes de Cristo, período conhecido como Calcolítico. O texto explicativo enviado aos órgãos de comunicação social caracteriza: “O Crasto é um enorme monumento que segue de perto o engenho, a persistência e a força de viver em comunidades sem organização estatal, das populações que aqui nos precederam entre c. de 3000 AC e o início do séc. IIº DC. Não parece ter tido sempre as mesmas funções específicas durante a Pré-história nem durante a Proto-história pois estranho seria que assim acontecesse durante mais de 3 mil anos! Este lugar atravessou o tempo, acompanhou diferentes gerações, diferentes modos de vida e as diferentes populações indígenas que aqui habitaram integraram-se em regimes políticos sem Estado, embora a sua organização política e social seja difícil caracterizar em pormenor”.

A ocupação pode dividir-se em três períodos fundamentais. Entre 3.000 AC e 1.800 AC foi sendo construído, alterado e selado este sítio que, dadas as caracteríticas da ocupação, os arqueólogos designaram “monumento”. No final dessa período terá sido abandonado. Depois, terá havido uma outra fase de ocupação entre 900/800 e 550/500 AC, durante a Idade do Bronze Final. Finalmente, o povoado da Idade do Ferro tem uma duração de cerca de 600 anos (entre, aproximadamente, 500 AC e 120 ou 130 DC). O Crasto, “(…) devido ao facto de ser o povoado proto-histórico mais extensamente escavado desta região, pode ser entendido como um dos ‘modelos’ de povoados das populações que habitavam na parte central de Trás-os-Montes antes da sua integração na administração romana”, refere ainda o texto explicativo enviado aos órgãos de comunicação social.

À espera do visitante, articulado com o Centro Interpretativo que está dotado de equipamento audiovisual e multimédia, há um percurso sinalizado e informativo ao longo da estação arqueológica que oferece ao visitante uma incursão na Pré e Proto-história da região e na larga paisagem que se vislumbra do alto. Perspectiva-se a continuação das escavações após a inauguração do Centro no dia 2, dado que foi revelada apenas uma parte da história do local.