oficina CEER
 01-07-2010
UTAD ESTUDA INCÊNDIOS EM "LABORATÓRIO"

Não usam batas brancas, não há tubos de ensaio, nem líquidos em ebulição, mas dali sai fumo. Tanto que, um dia, o alarme contra incêndios disparou e gerou um certo alvoroço. Rapidamente extinto. O alvoroço. Porque o fumo era mesmo sinal de fogo. Fogo perscrutado.

No edifício do Departamento Florestal da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) funciona um “laboratório” de incêndios, onde se estuda o comportamento dos fogos. Para já, em função da velocidade do vento e da inclinação do terreno. Mais tarde, quando o “laboratório” estiver concluído, introduzindo uma nova variável: a humidade.

A UTAD foi umas das primeiras universidades, em 1983, a desenvolver estudos e projectos na área da prevenção e do combate aos fogos e tem sido, aliás, uma referência na matéria na Europa. Os últimos especialistas a visitar a universidade foram um grupo de alemães. A “mesa de queima” ou o laboratório é um desses projectos.

“É uma coisa relativamente simples”, começa por explicar Paulo Fernandes, um dos professores que faz parte do Grupo de Fogos da UTAD. A “mesa” é parecida com um tabuleiro de alumínio. Gigante. Em cima do tabuleiro há uma espécie de exaustor. “Vou alterar a inclinação do terreno”, explica Paulo Fernandes, rodando uma alavanca. “O fogo responde à inclinação do terreno. Quanto mais inclinado for, mais aumenta a velocidade de propagação do fogo e a sua densidade”.

Paulo Fernandes dirige-se, depois, ao outro extremo da “mesa”. Vai ligar a “máquina do vento”, que sopra em direcção à mesa. A mesa de queima serve também para “conhecer” o comportamento dos vários tipos de combustíveis, ou seja, o seu grau de inflamabilidade.

O próximo projecto do Grupo de Fogos da UTAD visa estudar a aplicação da técnica do fogo controlado na indústria do papel, para perceber se a técnica poderá ter ou não efeitos negativos nas árvores. “A ideia é reduzir incêndios nos eucaliptais. Em termos de prevenção, os industriais do ramo têm optado pela limpeza. Mas, além de cara, a solução nem sempre é eficaz. Muitas vezes, as máquinas não chegam a determinados pontos e a propagação é fácil”, explica Paulo Fernandes, que, apesar de toda a investigação, lembra que há um factor muito importante, não é controlável. “O factor São Pedro”.

Fonte: http://umonline.uminho.pt/