Oficina CEER
 05-07-2010
DESCOBERTO NOVO GENE ESSENCIAL PARA A FORMAÇÃO DA COLUNA VERTEBRAL

A coluna vertebral é formada durante o desenvolvimento embrionário a partir de estruturas precursoras chamadas sómitos. Estas formam-se progressivamente ao longo do corpo, de cima para baixo, sendo que os sómitos que dão origem às vértebras superiores se formam mais cedo do que os que darão origem às vértebras mais caudais. Assim, o controlo do tempo de formação de cada sómito é um aspecto fundamental para a formação de uma coluna vertebral saudável.

Isabel Palmeirim descobriu pela primeira vez em 1997 um Relógio Molecular Embrionário subjacente ao controlo temporal da formação dos precursores vertebrais. Mais recentemente, a sua equipa de investigação desvendou um mecanismo semelhante a operar durante o desenvolvimento dos membros superiores. Neste trabalho, publicado na revista de renome internacional PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America), mais um passo importante é dado por Tatiana Resende, Raquel Andrade e Isabel Palmeirim na compreensão deste relógio celular.

Estas investigadoras do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde (ICVS) da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho e, ainda, do Laboratório Associado Instituto de Biotecnologia e Bioengenharia (IBB) do Centro de Biomedicina Molecular e Estrutural da Universidade do Algarve constataram que, ao isolar os tecidos embrionários pré-somíticos da molécula sinalizadora Sonic Hedgehog, produzida pelo gene shh, estes apresentavam um grande atraso no tempo de formação dos sómitos. Este atraso era, no entanto, superado ao fim de 9h, sendo que outra molécula de sinalização celular era responsável por esta recuperação temporal - o ácido retinóico. Assim, esta equipa de investigadores mostrou pela primeira vez que as células embrionárias utilizam a via de sinalização do Shh para controlar o tempo de formação dos sómitos, e que o ácido retinóico pode compensar situações em que esta molécula sinalizadora possa estar em falta, contribuindo para uma maior robustez do desenvolvimento embrionário da coluna vertebral.

Um relógio molecular semelhante ao embrionário foi também já identificado em células estaminais e em linhas celulares tumorais. Acreditamos que se o conhecermos suficientemente e soubermos modular a sua actividade e/ou periodicidade, teremos ferramentas potencialmente cruciais para lidar com dois processos celulares que estão intimamente relacionados e que são tão fundamentais, como a diferenciação de tecidos e a transformação oncogénica. Para além disto, poderemos ainda vir a intervir no sentido de corrigir malformações graves da coluna vertebral, como sejam algumas displasias espondilocostais, muitas vezes associadas a mutações nos genes do relógio embrionário.

Fonte: http://alumni.uminho.pt

Mais informações: http://www.ecsaude.uminho.pt/uploads/PNAS.pdf